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PATRIMÔNIO INDUSTRIAL ARQUITETÔNICO DE PERNAMBUCO RECORTES TIPOLÓGICOS

Alcilia Afonso_ KAKI



O livro “Patrimônio Industrial Arquitetônico em Pernambuco” se propõe a realizar um resgate do acervo arquitetônico industrial pernambucano, em suas distintas tipologias, iniciando pelo tema dos engenhos de açúcar, as fábricas têxteis, pátios ferroviários, porto marítimo, indústrias e a modernidade, entre outros.

A proposta é dar início a um trabalho de educação patrimonial sobre o tema do acervo arquitetônico industrial pernambucano, ainda que de forma incipiente, mas que abre os caminhos para novas pesquisas e olhares sobre a área que urge por um trabalho conjunto de preservação.

Acredita-se que somente com esse trabalho de conscientização da sociedade a respeito do valor desse patrimônio, e a importância em se preservar parte dessa história, nossas cidades possam passar para esta geração e as futuras, os atributos do acervo, e seu papel no fortalecimento de nossa identidade cultural.

Para tanto, o livro foi dividido em seis partes, e dezesseis capítulos, para que, de uma maneira didática e cronológica, sejam abordados temas e tipologias referentes ao acervo do patrimônio industrial pernambucano:

1) A primeira parte do livro será composta por um capítulo, voltado ao aporte teórico do tema do patrimônio industrial, apresentando os principais conceitos, apoiados nas Cartas patrimoniais (Carta de Veneza, carta de Nizhny Tagil/2003), nos Princípios de Dublin (ICOMOS, 2011) e em autores que são clássicos na temática, como Françoise Choay (2001, 2006) e Beatriz Külh (2009). Complementando esse capítulo, estarão como anexos, a Carta de Nizhny Tagil (ICOMOS, 2003), e os Princípios de Dublin (ICOMOS, 2011) - pois são documentos sempre consultados nas ações patrimoniais industriais.



2)A segunda parte tratará sobre os engenhos de açúcar, uma das primeiras tipologias do acervo patrimonial industrial pernambucano, sendo composto por dois capítulos: um que refletirá sobre os novos modelos de gestão cultural dos engenhos desenvolvidos pelo Governo do estado de Pernambuco; e o segundo que apresentará algumas boas práticas de preservação de Engenhos de açúcar no estado. A proposta é exemplificar as boas práticas patrimoniais públicas e privadas que vêm sendo desenvolvida para a preservação desse rico acervo.

3)A terceira parte será composta por três capítulos que enfocarão as fábricas têxteis em Pernambuco, e que marcaram o ciclo do algodão no Nordeste, e que Pernambuco possuía um papel fundamental nesse processo econômico. Como exemplos a serem apresentados teremos: A Fábrica da Macaxeira, localizada em Recife: observando-se os aspectos legais do processo de revitalização e reutilização; A Fábrica Tacaruna, também localizada em Recife- e seus distintos usos, no recorte de 1895 aos dias atuais; e o Complexo industrial têxtil da antiga fábrica da Companhia Industrial de Pernambuco (CIPER), localizada em Camaragibe- que durante os anos, se transformou de complexo industrial a bairro planejado.

4)A quarta parte é composta por dois capítulos, e enfocará o tema dos pátios ferroviário, que também é classificado como uma tipologia do patrimônio industrial. Um dos capítulos será destinado a discutir a questão do Pátio ferroviário das Cinco Pontas, em Recife; e o outro, voltado para o estado da arte do Pátio ferroviário de Arcoverde, localizado na região agreste pernambucana. Duas cidades bem distintas e que se poderá observar a escala das ações do poder público em diálogo com a iniciativa privada e a população.

5)A quinta parte contempla mais uma categoria do patrimônio industrial, que é o porto marítimo, e para tanto, é trazida uma discussão sobre as transformações da paisagem urbana na zona portuária de Recife, após a implantação do Porto de Suape. O que mudou na paisagem urbana da cidade, do bairro, que novos usos os antigos edifícios abrigam e que consequências foram resultantes na paisagem urbana?

6)A sexta parte, composta de quatro capítulos- enfocará o tema das indústrias e a modernidade, trabalhando um recorte temporal dos anos de 1930 aos anos de 1980, com a instalação de grandes fábricas contempladas pelo discurso governamental de desenvolvimento regional da SUDENE/Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste.

Por isso, um dos capitulo tratará sobre a Antiga fábrica da CILPE - Empresa de Industrialização de lacticínios de Pernambuco_ implantada no Cais José Mariano em Recife, projeto do arquiteto Luiz Nunes e equipe de 1934; o seguinte trará um capítulo sobre o papel da SUDENE em Pernambuco relacionado ao desenvolvimento de uma arquitetura industrial; e mais dois capítulos que exemplificarão essas obras apoiadas pela SUDENE, que foram a Fábrica da Bombril, implantada em Abreu e Lima , com projeto de Acácio Gil Borsoi com colaboração das arquitetas Janete Costa e Rosa Aroucha, em 1979, tendo sua construção concluída em 1983, pela construtora OAS- e a inauguração ocorrida em 1984; e a Hering do Nordeste S. A. Malhas (1973- 1978), localizada no bairro de Paratibe, Paulista, Pernambuco, projetada pelo arquiteto Hans Broos (1921-2011).

Projeto contemplado no Edital Funcultura Geral 2022-2023

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Como citar:

AFONSO, Alcilia. PATRIMÔNIO INDUSTRIAL ARQUITETÔNICO DE PERNAMBUCO RECORTES TIPOLÓGICOS.1. ed. -- Camaragibe, PE: Ed. da Autora, 2024. Formato: 21,0x21,0 cm. Nº. de páginas: 350. Capa com orelhas em 4x0 cores, cartão triplex. 300 gr. Miolo em 1x1 cores, off set 90 gr.









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