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Hugo Marques em Campina Grande_ Casa José Felinto

                                                                                                    Texto: Dra. Alcilia Afonso


HUGO MARQUES

Sobre a biografia do arquiteto-licenciado carioca, mas radicado em Recife, Antiocho Hugo de Azevedo Marques, conhecido como Hugo Marques, sabe-se ainda muito pouco. Segundo pesquisas realizadas no arquivo do CAUBR/Conselho de arquitetura e urbanismo- Marques nasceu no Rio de Janeiro, em 4 de abril de 1924, graduou-se na ENBA, e em 23 de julho de 1954, foi registrado no CREA.


Desenvolveu uma série de projetos em Recife nesta  época, sendo responsável por obras significativas como a histórica e turística Casa Navio (anos 40 do séc.XX)- demolida; a Residência da família Rozemblitz(1958), edifícios como o Igarassu, Almare (1945), Almare anexo(1950), entre outros. 

Sua trajetória na cidade de Campina Grande foi de grande importância, conforme escreveu MEIRA E AFONSO (2016), pois se pode afirmar que ele foi um dos precursores em projetos de edifícios em altura, no bairro central da cidade, projetando ali, as três edificações mais altas no núcleo histórico central: o Edifício Rique, de 1957 que marcou o início da verticalização na cidade; o Edifício Palomo, de 1962; o Edifício Lucas, de 1963. Todos adotaram a linguagem moderna e se distinguem da maioria das edificações do entorno, que eram em estilo Art Déco.

2_ LISTAGEM DE OBRAS

 Obras  em Recife

1940_ Casa Navio. Em 1981, foi demolida. Boa Viagem. Recife

1945_ Edifício Almare. Santo Antônio. Recife

1950_ Edifício Almare Anexo. Santo Antônio. Recife

1953_ Edifício Igarassu. Santo Antonio. Recife

1958_ Casa Rozemblitz. Bairro de Parnamirim. Recife.

 

Obras em Campina Grande:

 1952_ Residência de José Marcus Giovanni Gioia.

1952_ Edifício para o SESI

1954-56_Edifício para Associação Comercial

1957_Edifício Rique.

1960_ Casa Manoel Holanda de Oliveira

1962_ Edifício Palomo.

1962_ Residência João Felinto de Araújo

1962_ Edifício Paraná. Uso multifamiliar com 3 pavimentos.

1962_ Edifício Motta. (inacabado)

1963_ Edifício Lucas

1963_ Fórum de Campina Grande (Atualmente, utilizado pelo Juizado do Consumidor)

1964_Casa Custódio Miranda.

1965_ Hotel Ouro Branco.

1968_ Clínica Santa Clara 


RESIDÊNCIA JOÃO FELINTO DE ARAÚJO_1962.

Obra_ Residência João Felinto de Araújo

Local _ Rua Antenor Navarro esquina com Av. Rio Branco, n°647, bairro da Prata. Campina Grande, PB.

Período de projeto e obra_ 1962

Autor e equipe_ Projeto arquitetônico de Hugo de Azevedo Marques.


     Imagem do acesso. Crédito: acervo Grupal.2018


BREVE ANÁLISE ARQUITETÔNICA


Verificou-se que a residência em análise não possui tombamento, e nenhum outro tipo de proteção legal junto aos órgãos preservacionistas. Segundo informações colhidas no Plano Diretor vigente na cidade (2006), a localidade na qual se encontra inserida está classificada como zona de qualificação urbana.


O projeto foi encomendado ao Hugo Marques e aprovada pelo Departamento de Planejamento e Urbanismo da Prefeitura Municipal de Campina Grande, possuindo 591 m² de área construída, tendo o pavimento inferior 187m² e o superior 404m² de área. O engenheiro responsável pela obra foi Nilton de Almeida Castro.


A quadra na qual a residência está localizada, possui aproximadamente, metade de sua área ocupada por um conjunto de edificações que abrigaram a casa de saúde Dr. Francisco Brasileiro, tendo o  terreno do imóvel analisado uma área total de 936 m².


A residência possui dois pavimentos e sua planta baixa é dividida em zonas social, íntima, de serviço e lazer. O pavimento térreo em relação à Av. Rio Branco, que foi tratado com elevação em relação ao nível da rua- concentra a zona social, intima e parte do serviço (constituído por copa e cozinha). O pátio interno existente no pavimento criou uma riqueza plástica, além de contribuir com o microclima na edificação, com iluminação e ventilação naturais, bem como, converge três zonas do andar.



Pátio interno. Crédito: Diego Diniz.2018.



Detalhe azulejo no Pátio interno. Crédito: Diego Diniz.2018.


Em relação à estrutura da residência, esta usou o sistema do concreto armado, sem estrutura aparente, trabalhando com laje em concreto maciço, e o pavimento inferior estruturado com um muro de arrimo em pedra natural. A casa possui modulação variada, sendo a estrutura da área intima sistemática e das demais áreas, sintomática.


Quanto à linguagem formal empregada, é nítida a linha moderna adotada, devido ao uso dos recursos que caracterizam a arquitetura moderna.


                           Detalhe escada de acesso. Crédito: Diego Diniz.2018.


A obra foi projetada para funcionar como residência e ao longo dos anos, sempre manteve a sua função original.


Em relação à conservação física, GARCIA (2018) colocou que o estado era considerado muito bom, devido a nenhuma alteração volumétrica ter sido feita, sendo mantido assim, seus valores de integridade e autenticidade. 

                                  Detalhe escada de acesso. Crédito: Diego Diniz.2018.




                                            3D. Crédito: Gabriel Leão.2018.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS SOBRE HUGO MARQUES E SUA OBRA EM CAMPINA GRANDE MODERNA

AFONSO, Alcilia. Notas sobre métodos para a pesquisa arquitetônica patrimonial. Revista Projetar - Projeto e Percepção do Ambiente, v. 4, n. 3, p. 54-70, dez. 2019.

AFONSO, Alcilia. O processo de industrialização na década de 1960 e as transformações da paisagem urbana de Campina Grande. 2017. Em rede: https://upcommons.upc. edu/handle/2117/107530. Acessado em: 10 nov. 2017.

AFONSO, Alcilia. La consolidación de la arquitectura moderna en Recife en los años 50 en Recife.    Tesis doctoral Departamento de  proyectos arquitectónicos. ETSAB/UPC. Barcelona. 2006.

AFONSO,  Alcilia.; GARCIA, Marjorie. A relação entre cidade moderna e industrialização: O caso do bairro da prata em Campina Grande. Paraíba. Em rede: https://www.revistas.ufg.br/revjat/article/view/61787/34114. Revista Jatobá, Goiânia, 2019, V.1.

AFONSO,  Alcilia.; GARCIA, Marjorie. Reconhecimento da paisagem moderna da Prata. Campina Grande. PB. Belo Horizonte: 5º colóquio ibero-americano paisagem cultural. Projeto e patrimônio. 2018.

AFONSO,  Alcilia.; GARCIA, Marjorie. A modernização da cidade de Campina Grande e o bairro da Prata nos anos 60. Belo Horizonte: II Simpósio Científico do ICOMOS BRASIL, 2018.

AFONSO,  Alcilia.; GARCIA, Marjorie. Arquitetura moderna e industrialização: o bairro da Prata nos anos 60. Gijón: XIX Jornadas Internacionales de Patrimonio Industrial, INCUNA, 2017.

AFONSO,  Alcilia. e MENESES, Camilla. A Influência da escola do recife na arquitetura de Campina Grande 1950-1970. Belo Horizonte: Anais do 4º Seminário Ibero americano de Arquitetura e Documentação. 2015.

AFONSO, Alcilia e MEIRA, Roberta. A obra de Hugo Marques no centro histórico de Campina Grande, PB. 1957-1963. XI Seminário Docomomo Brasil. Recife: 2016

ALMEIDA, Adriana. Modernização e modernidade: uma leitura sobre a arquitetura moderna de Campina Grande (1940-1970). 2010. Dissertação (Mestrado em Teoria e História da Arquitetura e do Urbanismo) - Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo, São Carlos, 2010. Disponível em: <http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/18/18142/tde-25042011-094113/>. Acesso em: 2015-08-24.

ALMEIDA, Adriana. Arquitetura Moderna Residencial de Campina Grande: registros e especulações (1960 – 1969). Monografia (Graduação em Arquitetura e Urbanismo). Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2007.

Complexo Motta. Em rede: http://vilanovaarq.com/wp-content/uploads/2015/01/Vila-Nova_Complexo-MOTTA.pdf.  Campina grande: Vila Nova arquitetura. 2015. Acesso em 19.07.2020

DANTAS, Ezequiel; LEÃO, Gabriel; RODRIGUES, Roberta; SANDER, Rafaela. Levantamento em Edificação de Interesse Histórico: Estudos Preliminares | Estudos da Conservação. Campina Grande: Universidade Federal de Campina Grande, 2018.

GARCIA, Marjorie. A prata que vale ouro: A casa moderna da década de 60. Campina Grande: Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) apresentado ao curso de Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Campina Grande. 2018.

Plano Diretor do Município de Campina Grande. Lei Complementar Nº 003, de 09 de outubro de 2006. Campina Grande: Prefeitura Municipal. 2006.

QUEIROZ, Marcus Vinicius Dantas de. ROCHA, Fabiano de Melo Duarte. Caminhos da Arquitetura Moderna em Campina Grande: emergência, difusão e produção dos anos 1950. In: Diniz, Fernando (org.). Arquitetura Moderna no Norte e Nordeste do Brasil: universalidade e diversidade. Recife: FASA, 2007, p. 259 -278.


 

  

 


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