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Heitor Maia Neto e o projeto para Escola politécnica da Paraíba_ Campina Grande

Texto: Alcilia Afonso_Kaki
Coordenadora do Grupo de pesquisa Arquitetura e Lugar_UFCG.PB



Quem foi Heitor Maia Neto?

Heitor da Silva Maia Neto nasceu em Recife em 12 de outubro de 1928, filho de Heitor da Silva Maia Filho e Marta de Castro Maia. Faleceu em Recife, no dia 29 de dezembro de 2014, aos 86 anos, vítima de complicações respiratórias durante uma cirurgia.

          

Redesenho e 3D: Wilson Silva/ Renderização: Ivanilson Pereira/ Orientação: Alcilia Afonso

Heitor era conhecido por desenhar muito bem, e sempre foi um bom aluno, despertando a atenção de Russo, que desde os primeiros contatos, percebeu o interesse daquele jovem estudante. Assim, o convidou para trabalhar como desenhista a partir de 1948 no ETCUR/ Escritório técnico da cidade universitária do Recife, colocando-o como chefe do setor de desenho em 1949, e contratando-o definitivamente como arquiteto a partir do ano de 1952, quando Heitor graduou-se em arquitetura.

 Heitor Maia Neto(segundo à esquerda)- ao lado dos colegas de curso nos anos 50 e do mestre Italiano e grande  influenciador, Mario Russo(último à direita). fonte: AFONSO.2006.

Sempre atento e informado do que se produzia no país naquela época, Heitor buscava em seus projetos, introduzir elementos plásticos modernos aplicados pelos arquitetos cariocas à arquitetura recifense, adicionando a estas obras, soluções de plantas racionalistas (influência de Russo) com um toque pessoal ao propor sistemas construtivos criados pelo próprio arquiteto. 

A produção arquitetônica mais marcante de Heitor em Recife, na década de 50, foi de fato, as propostas apresentadas para projetos residenciais, como as casas: Márcio Rodrigues, projetada em 1952; Sérgio Morel, 1954; Torquato Castro,1954/1958; Zildo Andrade, 1959; Gilberto Botelho,1959; José Cordeiro Castro, 1960.

Os projetos de concursos dos quais participou, como o da Biblioteca Popular de Casa Amarela de 1952, no qual ganhou o primeiro lugar, e do Monumento aos heróis da Segunda Guerra no Rio de Janeiro de 1956, que obteve o segundo lugar, foram também fundamentais para sua afirmação profissional, bem como, o projeto desenvolvido para o edifício multifamiliar 13 de Maio.


SETOR DE ENSINO DA ANTIGA ESCOLA POLITÉCNICA DA UNIVERSIDADE DA PARAÍBA (1959-1961)

Atual bloco que compõe o Centro de Humanidades da UFCG.

 

Redesenho e 3D: Wilson Silva/ Renderização: Ivanilson Pereira/ Orientação: Alcilia Afonso


1_FICHA TÉCNICA

Obra_ Edifício do setor de ensino da Antiga Escola Politécnica da Universidade da Paraíba. Atual bloco que compõe o  Centro de Humanidades da UFCG.

Local _ Avenida Aprígio Veloso, 882, Universitário.

Período de projeto e obra_1959-1961

Autor _ Heitor da Silva Maia Neto


O projeto arquitetônico foi iniciado no ano de 1959, de acordo com os carimbos das plantas existentes no Arquivo Municipal de Campina Grande/AMCG, aprovado em 1960 pelo DVOP/ PMCG, sendo a obra concluída, em parte, em 1961. Nos anos seguintes, a Escola foi incorporada, inicialmente, pela UFPB, em 1970; e anos depois- em 2002, se incorporou ao campus da Universidade Federal de Campina Grande.


Perspectiva do grande complexo educacional que foi projetado pro Heitor Maia Neto, mas que devido à falta de verbas, apenas parte foi construída e detalhada, conforme nossos redesenhos aqui apresentados.

A relação arquitetura e estrutura é um princípio norteador do arquiteto, conforme colocou AFONSO (2006, p. 322), observando-se o uso de plantas criadas a partir da modulação estrutural, presentes de forma sistemática em planta e na marcação da volumetria.

Por primeira vez, a parte que foi construída do projeto original, foi redesenhada, a fim de resgatar os valores projetuais dessa obra, que é de uma qualidade incrível.

Redesenho e 3D: Wilson Silva/ Renderização: Ivanilson Pereira/ Orientação: Alcilia Afonso


Redesenho e 3D: Wilson Silva/ Renderização: Ivanilson Pereira/ Orientação: Alcilia Afonso

Redesenho e 3D: Wilson Silva/ Renderização: Ivanilson Pereira/ Orientação: Alcilia Afonso

Redesenho e 3D: Wilson Silva/ Renderização: Ivanilson Pereira/ Orientação: Alcilia Afonso

O edifício fazia parte de uma proposta mais ampla, contudo por falta de recursos, construíram apenas parte desse estudo. Originalmente, foi projetado para abrigar o setor administrativo e salas de aulas do curso de engenharia civil da antiga Escola Politécnica (ALMEIDA, 2019), mas atualmente, abriga setores do Centro de Humanidades da Universidade Federal de Campina Grande.

Essas transformações de uso, ao longo dos anos, vêm causando descaracterizações na edificação.

Imagem da obra recém inaugurada nos anos 60 do séc.XX. Fonte: acervo da UFCG.

Para saber mais leiam:

AFONSO, Alcilia. La consolidación de la arquitectura moderna en Recife en los años 50 en Recife.    Tesis doctoral Departamento de  proyectos arquitectónicos. ETSAB/UPC. Barcelona. 2006.

AFONSO, A. A arquitetura moderna de Heitor Maia Neto em Recife nos anos 50. Niterói: 6° Seminário Docomomo Brasil. 2005.

AFONSO, A. Arquitetura do sol. Soluções climáticas produzidas em Recife nos anos 50. Arquitextos, São Paulo, ano 13, n. 147.00, Vitruvius, ago. 2012 <https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/13.147/4466>.

ALMEIDA, Juliana Nóbrega. Acesso e permanência de estudantes egressos da escola pública no ensino superior: um olhar crítico para as espacialidades na Universidade Federal de Campina Grande, Campus Sede / Juliana Nóbrega Almeida. – 2019. Recife: Tese (doutorado) - Universidade Federal de Pernambuco, CFCH. Programa de Pós-graduação em Geografia, 2019.

RIBEIRO, Rafael Porto. A faculdade que forja memórias: o papel da Escola Politécnica da Paraíba na formação de uma memória de Campina Grande (1952-1958). Fortaleza: XVI Encontro Estadual de História do Ceará. 2018. Em rede: http://uece.br/eventos/gthpanpuh/anais/trabalhos_completos/298-31620-05052017-015145.pdf . Acesso em 19 de junho de 2020.

TORRES, José Valmi Oliveira. Escola Politécnica e a construção identitária de Campina Grande como polo tecnológico (1952-1973).  Campina Grande, UFCG: 2010. Dissertação de Mestrado em História – UFCG.

 



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